Efeitos da globalização sobre a terra foram debatidos no segundo dia do Fórum do Maranhão

Atualizado: Mar 28

O segundo dia do I Web-Fórum Estadual da Rede Amazônia no Maranhão encerrou no último sábado, 27 de março, com a realização de três conferências transmitidas pelo canal do Grupo de Pesquisa, Turismo, Cidades e Patrimônio (PTCP) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) no YouTube. Neste texto, uma síntese da primeira conferência proferida pelo professor Benjamin Alvino Mesquita, do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas da UFMA, que abordou a temática a Globalização e a dinâmica territorial na periferia do capitalismo. A mediação foi feita pelo professor Ronaldo Sodré, da UFMA.

Benjamin iniciou a sua fala recordando as transformações ocorridas na década de 1980, em que a hegemonia das políticas neoliberais se constituíram como fator determinante na nova lógica de mercado, acentuando o processo de globalização. Nesse sentido, a América latina, como área periférica, sofre os impactos das políticas neoliberais, como a abertura comercial rápida, principalmente em relação ao agronegócio, economia intensiva de capital e extensiva de área, gerando poucos empregos e utilizando muita terra e tecnologia. Portanto, as relações de emprego agrícola e as condições de sobrevivência, em geral, são declinantes em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) dos países da América Latina. São indicadores que favorecem ao mercado em prejuizo à vida das comunidades e ao uso da terra, além da produção do espaço urbano marcado por inumeras desigualdades sociais, habitacionais, sanitária, entre outras.

Em segundo momento, Benjamin comentou sobre a desarticulação da produção familiar em decorrência dos impactos das políticas neoliberais desenvolvidas durante a década de 1980, o que prejudicou o desenvolvimento dos pequenos produtores pela necessidade de concorrer com os grandes produtores. Outro aspecto são os conflitos agrários que têm como objeto a conquista dos territórios, inclusive na Amazônia Legal.

Segundo ele, os órgãos púbicos que gerenciam a terra são sempre questionados por vários segmentos econômicos - bancada BBB, entre outros, por exemplo - que defendem os interesses de uma elite privilegiada que está presente em várias cadeias produtivas em detrimento dos pequenos produtores. “No entanto, são estes pequenos segmentos, junto com as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhos, quebradeiras de coco do babaçu, trabalhadores da agricultura familiar, entre outras forças sociais, que exercem papel importante para a preservação ambiental e a segurança alimentar”, diferenciou.

Por fim, afirmou que as desigualdades marcantes entre os inseridos e os excluídos são produtos das políticas governamentais e empresariais, praticadas no âmbito da globalização, que dão ênfase nas exportações de commodities, gerando riqueza que não é bem distribuída no Brasil, além de provocar a destruição ambiental, desigualdade econômica e cidades desiguais. O professor Benjamin Mesquita enfatizou a importância do Fórum como um espaço de produção de conhecimentos e a defesa em prol destas comunidades brasileiras.

Texto: Mariana Lassance - Ascom-CRF-UFPA

Arte: CPT e MST - Foto: Portal Embrapa - RR RUFINO

17 visualizações0 comentário