A força da arte e da tecnologia para a Rede Amazônia


A 5ª videoconferência do Programa Morar, Conviver e Preservar a Amazônia (Rede Amazônia) ocorreu na última sexta-feira, 11 de setembro, a partir das 16 horas, pelo horário de Brasília, e teve como pontos de pauta a apresentação do Curta Matei a Lei: confissões ao direito à cidade e a apresentação do site da Rede Amazônia. São duas ferramentas de linguagens transversais para compartilhar conhecimentos por meio de uma rede de ensino, pesquisa e extensão que trabalhará, até 2021, com a inovação, capacitação e assistência técnica em regularização fundiária urbana, prevenção de conflitos de naturezas socioambiental, habitacional e sanitária nos nove estados amazônicos. A 5ª Videoconferência teve a presença da coordenação de Rede Amazônia e a participação dos representantes dos Grupos de Trabalhos Estaduais dos nove Estados que compõem a Amazônia Legal, além da integração dos seus assistentes, estagiários e colaboradores atuantes no Programa Morar, Conviver e Preservar a Amazônia. “Uma interação profundamente feliz, um marco de participação da equipe da Rede e um debate propositivo e motivador para a construção de boas práticas de regularização e o combate aos conflitos socioambientais amazônicos”, avaliou Myrian Cardoso. O Curta Matei a Lei: confissões ao direito à cidade é uma produção do Coletivo MultiverCidades da Amazônia e integrantes do Projeto de Pesquisa Saber & Conviver em Baixadas na Amazônia, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e foi dirigido por Myrian Cardoso, coordenadora da Rede. O curta mostra o bairro da Terra Firme, em Belém, no Estado do Pará, um dos 10 maiores espaços geográficos urbanos da capital paraense marcados por contradições e a ausência da aplicação de políticas públicas constitucionais para as famílias contribuintes. O espetáculo utilizou a linguagem teatral e cinematográfica para desconstruir rótulos e estigmas impregnados pelos poderes econômicos aos moradores. Estigmas estes tais como: informais, ilegais, clandestinos, invasores, irregulares e residentes em áreas vermelhas, entre outros termos cravados de forma pejorativa e historicamente sobre as famílias residentes nas periferias das cidades brasileiras. Diversos estudos e pesquisas no Brasil revelam que os “moradores do asfalto” não contratariam para trabalhar em suas residências “moradores das periferias ou favelas”. Dados divulgados pela Agencia Brasil, em 2015, mostram que dos 3.050 consultados, em 150 cidades brasileiras, 47% dos cidadãos do asfalto nunca contratariam, para trabalhar em sua casa, uma pessoa que morasse em uma favela. Para a atriz Gláucia Pinto, formada em Licenciatura Teatral pela UFPA, artista e moradora do bairro da Terra Firme, que interpretou com força expressiva o Matei a Lei, o curta soma a linguagem cinematográfica e teatral e resulta numa crítica social à cidade e as condições que a cercam. “O vídeo é forte e fala de uma lei que não foi feita para mim, que não me protege e nem me acolhe, além de me expulsar do meu barraco junto com a minha farinha. Embora eu seja uma contribuinte, pague os meus impostos, porém não sou tratada como uma cidadã contribuinte. Utilizamos a arte como instrumento social para mobilizar as comunidades visando lutar por uma produção social do espaço urbano com mais democracia e respeito aos moradores de todo o Brasil”, asseverou. Já em relação à apresentação do site da Rede Amazônia, uma nova janela tecnológica de comunicação e uma ferramenta em permanente construção e desconstrução, foram feitas críticas e sugestões propositivas como oportunidades de melhorias a serem implementadas. A ferramenta interligará as instituições federais envolvendo pesquisadores das universidades públicas, gestores de 52 prefeituras municipais, governos de Estado e segmentos os privados dos nove Estados, além das ações de campo dos pesquisadores junto às mais de 500 mil famílias, que terão as suas moradias expressas nas 17 plantas de parcelamento do solo. O site integra as demandas estabelecidas junto ao Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR) e à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica do Estado do Pará (Sectet) em consonância com a Comissão de Regularização Fundiária da Universidade Federal do Pará (CRF-UFPA). A ferramenta foi desenvolvida por Clara Fonseca, do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPA, e por Igor Leão dos Santos, do curso de Engenharia Civil da instituição federal do ensino paraense.

Texto: Kid Reis - Ascom-CRF-UFPA

Foto: Arquivo Rede Amazônia e Coletivo MultiverCidades da Amazônia

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