Em 11 de outubro de 1977, por meio da Lei nº 6.448, Ariquemes adquire sua emancipação política com a instalação do município no dia 21 de novembro. Como marco histórico dos processos de ocupação dos territórios da Amazônia Legal, o nome da cidade é voltado para a extinta tribo indígena Arikeme, povo localizado na região dos rios Rio Jamari e Rio Candeias, em Rondônia, onde se localiza o território. Os índios falavam o txapakura, pertencente ao tronco linguístico tupi, que habitavam a maior parte do litoral do Brasil no século XVI e que sobrevive até hoje sob a forma do nheengatu. A influência colonizadora portuguesa marcou os povos do Estado de Rondônia.

A história local de Ariquemes é marcada pelos conflitos de desestruturação dos povos indígenas desde os ciclos econômicos dominados pela Coroa Portuguesa, ameaças espanholas, a extração da borracha, a introdução do gado, extração de madeira e de cassiterita, entre outros. Em 1915 surge Vila de Ariquemes e com a queda na produção da borracha devido à alta produção na Malásia, provocando a decadência da mercadoria na região amazônica. A recuperação da produção voltaria na II Guerra Mundial, iniciando, o segundo ciclo econômico com reflexos em todos os seringais locais. Um recorte sobre este complexo momento histórico está bem retratado no documentário “Soldados da Borracha”, dirigido pelo cineasta Wolney Oliveira. Os dados apontam que mais de 55 mil trabalhadores, sendo a maioria migrante do Nordeste, abandonados no governo Vargas e por gestores locais.

Com o fim da Segunda Guerra diminuiu o interesse pela borracha Amazônica e com o parque europeu arrasado pela guerra na Europa, o capital internacional, em especial a indústria automobilística, migra para os países do então chamado de Terceiro Mundo, com foco mais centrado no ABC Paulista, próximo ao Porto de Santos. Volkswagen do Brasil se instala no bairro do Ipiranga, em São Paulo, em 23 de março de 1953, e depois constrói o parque industrial da Via Anchieta, no km 23,5. A Karmann Ghia, em 1960,  na Via Anchieta, no km 21,5 e a Mercedes-Benz, em 1956, na via Anchieta, no km 16, provocando outras ondas migratórias para as regiões do sudeste brasileiro e as consequências habitacionais, sanitárias e socioambientais.

No entanto, em Ariquemes se descobre as jazidas de cassiterita que possuem alto valor no mercado e é utilizada nas composições das ligas de chumbo, matéria-prima que integra a produção de latas e embalagens, e é utilizada como solda na fabricação e conserto de aparelhos eletrônicos. Os resultados foram o elevado valor do produto nas bolsas de valores, como poderia se dizer as famosas commodities.  Conforme dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), os estados de Rondônia e Amazonas responderam, respectivamente, com 47% e 50% da produção nacional da cassiterita, além do que aproximadamente 7,5% das reservas mundiais de estanho contido estão no Brasil.

Além disso, na década de 70, durante o governo militar, surgem os projetos de colonização agrícola da Amazônia Legal, por meio da construção da BR-364, provocando novas migrações sulistas que passaram a interagir com indígenas, seringueiros, ribeirinhos e garimpeiros, produzindo choques culturais, conforme o historiador Washington Heleno Cavalcante, mestre em História e Estudos Culturais pela Universidade Federal de Rondônia (Unir).

Em 15 de abril de 1970, o Ministério das Minas e Energia proíbe a extração manual da cassiterita, sob o argumento de ser predatória a exploração das jazidas minerais, e autorizada a exploração mecanizada, favorecendo as empresas no mercado. O resultado foi que muitas famílias ficaram sem renda e ocuparam as periferias de Ariquemes, o que desencadeou problemas sociais com consequências urbanas, habitacionais e socioambientais até os dias de hoje.

Neste contexto, segundo historiador Washington, poucos objetos restaram do tempo da tribo Arikeme na cidade. Uma caldeira de geração de energia da Colônia Rodopho Miranda, exposta em frente do Museu Rondon, que fica no bairro Marechal Rondon, também conhecido como Vila Velha. Neste local é possível encontrar postes da estação telegráfica instalada por Rondon, o prédio da primeira cadeia pública e um cemitério desativado. Além disso, por outro lado, de forma positiva, uma emenda constitucional Nº 78, de 14 de maio de 2014, do deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), garantiu a devida indenização para os soldados da borracha, quase 70 anos depois, conforme a Agência Senado.

Assim em 2020, pelos dados do IBGE, a população estimada de Ariquemes era de 109.523 habitantes. Em 2010, no último senso, residiam na cidade 90.353 moradores numa densidade demográfica de 20,41 hab/km². A base da economia local está centrada nos segmentos da agropecuária, pesca café, soja, cacau, guaraná, cereais, cassiterita, indústria da transformação, madeira, comércio, construção civil, serviços e administração pública, entre outras.

Os dados do IBGE/2018 revelam que o salário médio mensal era de 2.0 salários mínimos. Considerando domicílios com rendimentos mensais de até meio salário mínimo por pessoa, tinha 35% da população nessas condições, o que o colocava na posição 47 de 52 dentre as cidades do estado e na posição 3571 de 5570 dentre as cidades do Brasil. A taxa de escolarização, conforme dados de 2010 do IBGE, alcançava 97,25 de jovens de 6 a 14 anos. Em 2018, as matrículas no ensino médio alcançavam 15.678 estudantes e  3.906 no ensino fundamental.

Já em relação à saúde, a taxa de mortalidade infantil média na cidade é de 13.34 para 1.000 nascidos vivos. As internações devido a diarreias são de 1.2 para cada 1.000 habitantes. Comparado com todos os municípios do estado, fica nas posições 20 de 52 e 32 de 52, respectivamente.  Pelos dados o IBGE/Cidades, o município de Ariquemes tem 16 estabelecimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Já em relação aos dados do território e ambiente, o IBGE informa que apenas 8.6% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 33.8% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 5.1% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio).  O orçamento aprovado para exercício financeiro 2021 está estimado em R$ 297.871.912,32, conforme dados da Câmara de Vereadores da Ariquemes. O município tem Plano Diretor, conforme Lei Municipal de Nº 2.341 de 17 de Dezembro de 2019. A regularização fundiária é prevista na Lei Nº 1432-08. A prefeita de Ariquemes chama-se Carla Rendano e é filiada ao Patriota. O poder público fica na Av. Tancredo Neves, 2166 - St. Institucional, Ariquemes - RO, CEP: 78932-257 - Telefone: (69) 3516-2000.